Coluna 134 de Marcellus Campêlo
Coluna 134 de Marcellus Campêlo | Cuidar da Amazônia é investir no futuro

Celebrado em 5 de junho, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data simbólica e um convite à reflexão sobre o modelo de desenvolvimento que queremos construir e o legado que pretendemos deixar para as próximas gerações.
Essa reflexão ganha um significado ainda mais profundo na Amazônia. Afinal, estamos falando da maior floresta tropical do planeta, responsável por serviços ambientais essenciais para o equilíbrio climático, a conservação da biodiversidade e a qualidade de vida de milhões de pessoas. Cuidar do meio ambiente, na Amazônia, não é apenas uma obrigação, mas uma estratégia de desenvolvimento, de proteção social e de construção de um futuro sustentável.
Durante décadas, o debate sobre crescimento econômico e preservação ambiental foi tratado como um conflito. Hoje, entretanto, é cada vez mais evidente que não existe desenvolvimento verdadeiro sem sustentabilidade. As cidades precisam crescer, a população precisa de moradia, saneamento, infraestrutura e oportunidades. E tudo isso deve ocorrer de forma planejada, respeitando os recursos naturais e reduzindo os impactos ambientais.
A experiência mostra que investir em sustentabilidade gera benefícios concretos para a população. O saneamento básico reduz doenças e melhora a qualidade da água. A recuperação de áreas degradadas protege os recursos hídricos e reduz riscos de alagação. A eficiência energética diminui custos e contribui para o enfrentamento das mudanças climáticas. O planejamento urbano evita ocupações irregulares e protege áreas ambientalmente sensíveis.
Em uma região tão estratégica quanto a Amazônia, esses cuidados tornam-se ainda mais necessários. O avanço das mudanças climáticas, os eventos extremos cada vez mais frequentes e os desafios do crescimento urbano exigem que governos, instituições e sociedade trabalhem juntos para construir cidades mais resilientes e sustentáveis.
No Amazonas, essa visão tem sido incorporada a diversos projetos executados pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), pastas que administrei até março deste ano, quando me desincompatibilizei para colocar meu nome à disposição do Uniao Brasil Amazonas, como pré-candidato a deputado estadual.
Os projetos executados na Sedurb e UGPE vêm demonstrando que é possível promover desenvolvimento com responsabilidade ambiental. O Programa Social e Ambiental de Manaus e Interior (Prosamin+), por exemplo, alia urbanização, saneamento básico e reassentamento de famílias à recuperação ambiental de igarapés e áreas degradadas. O programa, reconhecido nacional e internacionalmente, já beneficiou mais de 80 mil pessoas e passou a ser referência em iniciativas de adaptação climática e desenvolvimento urbano sustentável.
Na atual etapa do programa, estão previstas, de forma pioneira, ações de reflorestamento, com mais de 49 mil mudas de espécies nativas, contribuindo para a recuperação de áreas urbanas degradadas e para o fortalecimento da infraestrutura verde da cidade de Manaus.
Outro exemplo é o Programa de Saneamento Integrado (Prosai), que foi concluído em Maués e está em andamento em Parintins. O Prosai Parintins, o maior investimento já realizado no interior do estado, reúne obras nas áreas de saneamento, habitação e urbanização, associadas à recuperação ambiental da região da Lagoa da Francesa. O projeto prevê o plantio de mais de 32 mil mudas, além da criação de áreas verdes e espaços públicos que valorizam a convivência entre desenvolvimento urbano e preservação ambiental.
Já o programa Ilumina+ Amazonas, também da Sedurb e UGPE, tornou o estado o primeiro do Brasil a alcançar 100% de iluminação pública em LED nos municípios do interior. Com mais de 119 mil pontos instalados em 61 municípios e 245 comunidades rurais, ribeirinhas e indígenas, a iniciativa reduz significativamente o consumo de energia elétrica e contribui para evitar a emissão de cerca de 100 mil toneladas de dióxido de carbono ao longo de 10 anos.
Esses resultados mostram que sustentabilidade não é apenas um discurso. É uma prática que pode estar presente em obras, programas sociais, projetos de infraestrutura e políticas públicas voltadas à melhoria da qualidade de vida da população.
Na Semana do Meio Ambiente, portanto, a principal mensagem está bem clara: proteger a Amazônia não significa impedir o desenvolvimento. Significa garantir que ele aconteça de forma inteligente, equilibrada e duradoura. Significa compreender que cada investimento realizado hoje deve contribuir para que as futuras gerações encontrem uma região mais preservada, cidades mais sustentáveis e uma sociedade mais preparada para os desafios do amanhã.
Cuidar do meio ambiente é, acima de tudo, cuidar das pessoas. E, na Amazônia, essa responsabilidade é também uma oportunidade de mostrar ao Brasil e ao mundo que desenvolvimento e sustentabilidade podem caminhar lado a lado.
Marcellus Campêlo é engenheiro civil, especialista em Saneamento Básico e em Governança e Inovação Pública; exerce, atualmente, a segunda vice-presidência do Partido União Brasil no Amazonas, pré-candidato a deputado estadual










