Perdas de água e baixa eficiência comprometem avanço do sistema e quase metade da água tratada se perde antes de chegar ao consumidor
Manaus tem os piores índices de saneamento básico no país, segundo ranking

O novo Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil confirma um retrato conhecido, mas ainda alarmante: o Brasil avança de forma desigual no acesso à água e esgoto, e Manaus continua entre os piores desempenhos entre os 100 maiores municípios do país. De acordo com os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), com base em 2024, a capital amazonense ocupa a 82ª posição no ranking nacional, subindo apenas cinco posições em relação a 2025, quando estava em 87º lugar. A melhora é tímida e insuficiente diante do tamanho do problema.
Esgoto é o gargalo estrutural
Manaus apresenta um dado que, à primeira vista, parece positivo como 97,13% da população tem acesso à água tratada. Mas o contraste é brutal quando se olha para o esgoto quando penas 32,35% têm acesso à coleta de esgoto e só 22,78% do esgoto é efetivamente tratado. A cidade entrega água, mas devolve sujeira para os rios e igarapés. Esse descompasso explica a posição baixa no ranking.
Entre 2020 e 2024, Manaus recebeu R$ 1,4 bilhão em investimentos em saneamento, sendo R$ 123,15 por habitante/ano. O volume não é pequeno. O problema está na eficiência. Mesmo com esse nível de investimento, a cidade mantém indicadores de países de baixa infraestrutura sanitária. Isso indica falha de gestão, priorização e execução.
Perdas e ineficiência agravam o cenário
Outro dado crítico é que 45,25% da água se perde na distribuição, ou seja, quase metade da água tratada não chega ao consumidor. Isso significa desperdício de recurso público, aumento de custo operacional e pressão sobre o sistema. Enquanto cidades como Franca, São José do Rio Preto e Campinas operam próximas da universalização, com índices acima de 95% em água e esgoto, Manaus ainda patina em um modelo incompleto.
No topo do ranking, o padrão é claro é necessário alta cobertura de esgoto, tratamento próximo de 100%, perdas controladas e investimento contínuo e eficiente.
Os dados mostram três travas centrais: a infraestrutura de esgoto insuficiente; a baixa eficiência na execução dos investimentos; as perdas elevadas na distribuição de água. Com isso, é possível afirmar que o déficit de saneamento em Manaus não é técnico. É social e se traduz em aumento de doenças de veiculação hídrica, pressão sobre o SUS, contaminação de igarapés, degradação ambiental urbana e desigualdade entre bairros.
Manaus melhorou no ranking. Mas melhorou pouco. Segue no bloco dos piores. E segue pagando o preço disso na saúde, no ambiente e na qualidade de vida. O dado mais honesto do relatório é simples: a água chega. Oesgoto não sai. E enquanto isso não mudar, o ranking também não muda.
Atuação legislativa: mais de 300 proposições para enfrentar o colapso do saneamento
Diante de um cenário estruturalmente crítico como o revelado pelo Ranking do Saneamento 2026, a atuação parlamentar ganha peso decisivo. No caso do Amazonas, o deputado federal Amom Mandel tem construído uma das agendas legislativas mais robustas do Congresso no tema.
Ao todo, são mais de 300 proposições apresentadas, entre projetos de lei, requerimentos, indicações e fiscalizações, com foco direto na ampliação do acesso à água, coleta e tratamento de esgoto, além da modernização da política nacional de saneamento. A estratégia é atacar o problema em várias frentes ao mesmo tempo.
No eixo estrutural, os projetos propõem mudanças profundas no marco do saneamento, como a definição de metas claras para universalização até 2033, criação de mecanismos de monitoramento e avaliação contínua, o incentivo à inovação tecnológica e sustentabilidade no setor e a priorização de municípios com maior vulnerabilidade social.
Na ponta, onde o problema explode, as iniciativas miram a realidade amazônica com programas específicos para comunidades isoladas, ampliação de infraestrutura em áreas ribeirinhas e insulares, integração entre saneamento, saúde pública e meio ambiente e o combate à poluição por resíduos e microplásticos.
Há também uma frente forte de fiscalização. O mandato acionou ministérios, cobrou dados oficiais, solicitou visitas técnicas e pressionou o governo federal sobre investimentos e execução de obras, especialmente em Manaus, onde o déficit é mais evidente. O conjunto das propostas revela um diagnóstico direto: o problema do saneamento no Amazonas não é invisível. Ele é conhecido, documentado e já foi alvo de ação política consistente.











